Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Terça-feira, Setembro 02, 2008

[forte vs. forte]

apaixonar-me, como pôr estes versos um sobre o outro,
me exige dos braços dois galhos de tronco.
dois braços de galhos para a vinda de aves
em torvelinho de bando;
para um balanço.

apaixonar-me me exige dos ossos que sejam de pedra.
paredes de pedra de um grande castelo,
de um belo
de um grande
de um forte
castelo -
um sofrimento que este corpo
ou este espírito
cansados como árvores equilibradas
nas mãos de um penhasco não logram domar.

a paixão é esse importante rei belicoso,
esse cavalo muito rápido, esse bonito
cavalo branco luzente e alado.
e o meu coração
lua pisciana
que não fala mais a mim uma palavra;
o meu coração agora bate
por si um segredo
para si,
soturna alvorada despertando os páramos
para a marcha em armas de um exército fantasma.

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

[quando não me sente o mundo]

quando rouba a mim um beijo,
porque não me sente o mundo
os lábios,
não significa que eu não sinta.
é só que não posso dizer que
não entendo como
não me move isto
que, sangue de fogo,
não me destrói mais.

meus ouvidos cobrem-se
com as minhas mãos como de outra
pessoa
pelo alarido de cigarras que às cinco me diziam,
qual marcha de gaitas,
sobre o funeral da tarde;
hoje só me toca enquanto paro em fleuma
sua densa nuvem, preta, em minha pele.

não sei tu se hás chegado
a essa hora quando
em som dos sinos se derrete
o silêncio,
e o machado ora forjado olha-te à parede sob
a janela donde olhas
o agitar-se dos pinhais;

mas se não hás,
o que é mover-me, então
- tu te perguntas -
sem mover-me?
e o que te digo? é força, então
ainda
para manter.
é piedade
do mundo e paciência,
tuas velas mastros grossos navegando
as eras glaciais dos oceanos para os portos dentro.

Domingo, Julho 20, 2008

here is no why

às vezes eu penso e queria saber mesmo o que é isso de ter uma ambição -- daquele tipo tão óbvio que leva a pessoa ambiciosa a fazer escolhas fáceis porque seu foco na vida é incrível--; às vezes me pego querendo saber mesmo o que é isso de ter desejos não como objetos de luxo mas como o sono que você dorrme, obsessões tão sadias quanto jogging diário às cinco da manhã.
de uns anos para cá, conhecendo pesoas com paixões bem definidas, o modo como essas paixões ocupam seus quartos e vidas, percebi que tenho bastante respeito por aqueles que acabam kinda se tornando suas paixões. .
há,por exemplo, os leigos que reviram os olhos chamando-os de ok-nerds-get-a-life, e eu me sinto até um pouco culpado por não sentir culpa em reconhecer o valor de saber de cor, por exemplo, listas de habilidades, perícias, combinações de habilidades e perícias, dados, armas, clãs, categorias de personagens, reinos, mundos, magias, sistemas, autores, história, todas essas minúcias que sabe um rpg freak. penso no dinheiro gasto com livros no tempo gasto com debates, em qualquer coisa gasta com qualquer coisa como isso, e fico feliz de imaginar o fundo-de-garrafa respondendo recitando listas como recitasse batatinha-quando-nasce às dúvidas dos n00bs. o problema, eu acho, é que não são tantas as pessoas que perguntam sobre rpg quanto as que perguntam sobre pontadas no coração. e por isso os médicos é que são uh a grande coisa.
e então eu penso no que é isso que ME MOve, no que são as minhas listas de armas e magias.---------no que é isso em que eu poderia ser a refer^ncia. penso no que eu gosto de fazer, e então penso em tempo livre -- música, livros, desenhos, jogos & filmes. e sinto nessa lista uma corrente ARTSY, e isso é mesmo algo com que eu me importo; acontece de eu perder aula adiar trabalhos pra ficar em casa remanchando sobre os cadernos com coisas escritas terminando de arrematar com alguma cagada algum desenho. .
butwait. eu poderia bem ter dito que o TEMPO LIVRE ali é que é, na verdade, um das minhas paixões. não digo a liberdade total, porque jamais persegui minha liberdade ardentemente, como, não sei, um revolucionário? se não lido bem com as cobranças, lido ainda pior com as possibilidades. e aí então eu tento adaptar-me e explorar esse pequeno resto obedecer às leis menores a fim de burlar as maiores e busco brilhar meu próprio brilho entre as frestas dessas portas portas portas de madeira.
com a leve --e um tanto triste-- impressão agora de que conseguiria mesmo responder como um buda sorridente ao que me perguntassem sobre os mistérios desse cinismo.

Quarta-feira, Julho 09, 2008

the engima of amigara fault. milhares de buracos em forma de gente encontrados na falha exposta por um terremoto -- ------

Domingo, Junho 29, 2008

igloo

o nome me apareceu em sonho. roadkill. rooooadkill. e era um bom nome. quando abri os ohlos, não questionei o cabimento nem o que representava. não lembro do sentimento com que acordei, não lembro bem de onde o nome veio. o vi no ar somente, escrito feito um halo gasto a flutuar sobre os meus posts, como se tivesse sempre estado ali, como se fosse natural. eu assenti como um bebê índio, filho do inconsciente.
outros nomes já me apareceram em sonho, assim como outras coisas, que eu também resolvi aceitar. não sei. aceitar as coisas vindas dos sonhos é talvez como se reservar uma surpresa catártica para o futuro; como receber e guardar agora uma foto de alguém que você não conhece e só vai conhecer tempos depois. e então você conhece e aí está-- você entende por que manteve aquela foto.
e aí que hoje eu me dei conta. acordei há oito horas e desde então dei poucos passos para além desta cadeira preso ao computador como houvesse tirado
o telefone do gancho fugindo do que eu TENHO que fazer.;;;;; (me entregando a essa condição de não se importar com o efeito de uma estupidez dormente e raivoso de braços cruzados e testa franzida na neve perdido em paisagem de sonho onde o céu lavanda relampeia, andando entre veados carregando diamantes coloridos presos nas galhadas correndo em câmera lenta ao som de um pedal duplo de drum machine--------há dias ouvindo "pyramids", me sinto num estado perene de sonho. e eu ouço esse disco depois de uma ouvida e outra depois dessa e então outra, e eu me sinto livre preso nessa repetição.
nesse ambiente etéreo e infernal. sem precisar fazer mais nada.

["Pyramids", Pyramids, 2008]

)
e dentre as voltas voltas perseguindo o meu
próprio rabo, voltei para o meu pr´oprio blog e li ele de novo --- em parte. li algumas coisas caixa de fotos velhas e vi -- este é mesmo um blog sobre alguma coisa. este é um blog sobre A FUGA. é esse o rosto naquela foto de um estranho que eu guardei. e não é um padrão muito velado, é até fácil perceber. este é um blog sobre a fuga. cada post é sobre ficar
esperar
esquecer
fingir
ou partir.
e depois de ler e ler os posts, subindo então
em suspense a barra de rolagem, estava lá no topo, como se fosse um novo halo luminoso --- roooooadkill.

Terça-feira, Junho 24, 2008

we will revolt

lembro da cena do piquenique promovido por julia em "1984", quando ela , tentando confortá-lo ---e confrontá-lo, dizia a winston (que mal podia, idealista e paranóico, acreditar no cinismo da nova parceira diante de todo o horror do sistema) que era preciso respeitar as leis menores de modo a conseguir burlar as maiores. acho que foi assim. que era preciso aquiescer ao que você deve fazer, suportar a mesquinhez da rotina produtiva, que você pode usar a máscara de cidadão regular de modo a voar sob o radar, não ser apontado pelo grande-olho em função de suas diferenças e ent~ao subverter a coisa toda por detrás da aparência.
fazer o papel faz parte do idealismo------ em algum ponto de eu-em-crise acho que vi isso como uma verdade, eu fui julia no piquenique depois de trepar com winston. percebi que não se trata de não ceder nunca, mas caminhar sobre as brasas em direção ao que se quer. e isso pressupõe uma visão assustadora do mundo, de que o mundo é um lugar de renúncias. mas só é assustadora, eu imagino, porque a gente pode pensar sobre isso e ver como a gente deseja demais e possui tão poucos recursos, e que existem caminhos fáceis em demasiado pruma vida que é, no fundo, tão difícil.
mas em alguns momentos eu quero acreditar que a vida é fácil, e que os caminhos é que são difíceis. e resolvo fazer o que há de ser feito, como um trabalho de teoria da literatura II para a próxima semana, ha fuckin ha. mas tenho quse certeza de que isso parece correto poruqe não consigo pensar em uma fuga realmente efetiva, e não me disponho a tentar. olho ao redor, escuto minhas músicas, leio meus livros, escrevo minha história, vou a esse a aquele lugar na sexta-feira --- e onde está a verdadeira fuga? o que é isso que eu faço que redime eficazmente o aborrecimento? por que depois de dizer (tanto faz) sim ou não a esse trabalho de teoria da literatura II , outros trabalhos virão? por que eu me sinto tão a parte mais estúpida de julia?